A Câmara dos Representantes votou pela terceira vez para encerrar a guerra no Irã, aprovando uma resolução que limita a autoridade do presidente Donald Trump para continuar operações militares sem a aprovação do Congresso. A votação, que ocorreu na terça-feira, teve 220 votos a favor e 204 contra, com alguns republicanos juntando-se aos democratas no apoio à resolução.
Essa decisão ocorre em um momento crítico, com as eleições de meio de mandato se aproximando e um crescente debate sobre o impacto econômico e estratégico do conflito. A guerra, que começou em 28 de fevereiro, já causou graves danos econômicos e militares, com um custo estimado em US$ 38 bilhões e uma redução significativa nos estoques de munição dos EUA.
A votação e as reações políticas
A votação foi semelhante às anteriores, com alguns republicanos mudando de posição. O deputado Zach Nunn, do Iowa, explicou sua decisão de votar a favor da resolução, afirmando que "com o período de negociações encerrado, operações de combate prolongadas agora exigem autorização do Congresso". "Não apoiarei outra guerra sem fim", disse Nunn.
O deputado republicano Brian Mast, da Flórida, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, criticou a resolução, questionando quais recursos militares os democratas gostariam de remover da região, onde o Irã continua sendo uma ameaça. Mast argumentou que Trump é contra "guerras intermináveis" e que está pondo fim a décadas de hostilidade com o Irã. "Eles representam uma ameaça constante e permanente aos Estados Unidos", disse Mast. "Já chega."
O impacto econômico e militar da guerra
Um relatório do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) revelou que a guerra já custou US$ 38 bilhões e que os custos continuam a aumentar. O relatório estima que o conflito aumentará a inflação em 0,5 ponto percentual nos primeiros três meses de 2027. Além disso, o CBO constatou que o arsenal de mísseis defensivos dos EUA foi tão drasticamente reduzido que poderia levar cinco anos para ser reconstruído, mesmo com o aumento da produção.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, descartou os relatos de escassez de munições, afirmando que os Estados Unidos possuem "muito mais munições do que qualquer outro país no mundo ". No entanto, o relatório do CBO observou que a escassez seria "particularmente problemática" em um potencial conflito com a China, devido à necessidade de interceptar um grande número de mísseis balísticos e de cruzeiro.
Desafios políticos e próximos passos
Apesar das votações na Câmara, nenhuma das resoluções chegou à mesa do presidente, onde Trump quase certamente as vetaria. O deputado democrata Seth Moulton criticou o governo, dizendo que é hora de o Congresso "fazer as perguntas difíceis, como a Constituição nos orienta a fazer, em vez de ser submetido a mais um governo belicista".
A menos de 50 dias das eleições de meio de mandato, o conflito no Irã desempenha um papel significativo nas campanhas políticas. Parlamentares retornam aos seus estados para fazer campanha, enquanto os democratas tentam retomar o controle do Congresso dos republicanos. A guerra, que começou com a promessa de Trump de que duraria apenas algumas semanas, já causa devastação na região há quase sete meses.
Enquanto o Congresso continua buscando limitar a intervenção militar, a guerra no Irã permanece um ponto de discórdia política e um fardo econômico significativo para os Estados Unidos.
